Drama Peeling... Moda ou exagero?

Nos últimos dois anos temos assistido a todo um "boom" na skincare, e com alegria digo, ainda bem. De repente, começamos a ver uma maior aposta nos cuidados de rosto, uma maior preocupação com a proteção solar e até com o recurso a tratamentos de medicina estética e de dermatologia que visam o cuidado da saúde da pele. Mas terá este "boom" na skincare sido levado ao extremo?





Consultas de dermocosmética, diretos sobre rotinas de rosto, posts e reels sobre os melhores cosméticos e princípios ativos para cada tipologia de pele. São várias as fontes de informação para que hoje em dia haja uma maior consciência sobre os cuidados da beleza e saúde da pele e graças à indústria cosmética, dispomos de múltiplas ofertas de marcas, galénicas e até se queremos um cosmético sustentável ou não. A oferta é muita mas os perigos também.


Um desses perigos reside num tema específico que conquista centenas de consumidores mas que a mim, enquanto profissional assusta-me: os peelings químicos.

Sabemos que os peelings químicos cosméticos foram elaborados para serem utilizados na cosmética para atenuar algumas imperfeições de pele como o envelhecimento precoce, a baixa oxigenação da pele, manchas de sol e acne, devolver a tenacidade e luminosidade à epiderme e sem dúvida alguma, é um dos melhores tratamentos cosméticos que existe e que traz realmente excelentes resultados. Quando feito com sabedoria e por profissionais.


Em qualquer prateleira de lojas de cosmética vemos soluções aquosas como os tónicos da Revox ou da The Ordinary impregnados de ácidos sejam eles AHA ou BHA, muitos deles com concentrações acima de 20 e 30% e até aqui tudo bem mas deixem que vos diga: tornar o uso de ácidos algo tão banal É UM ERRO!

Peelings químicos são tratamentos que devem ser feitos por profissionais, sejam eles de estética ou de saúde e paremos aí! Peelings químicos não são tratamentos para se recomendar de livre ânimo nas redes sociais nem tão pouco incitar a sua compra só porque funcionou com A ou B ou C.

Todos sabemos as maravilhas do ácido glicólico, mandélico, salicílico e entre outros mas, quando abordamos um tema tão sensível como os ácidos temos que ter a noção que o consumidor está cada vez mais sensível e por vezes compra por impulso e por desespero em busca da pele perfeita e muitos de nós quando criamos conteúdo, temos que alertar que o seu uso é pontual e não permanente e que depende sempre de uma avaliação feita por um especialista.


Herpes, manchas de transição, complicações inflamatórias, dermatites de contacto, estas são apenas algumas complicações comuns no uso de peelings, ou seja, aplicar um ácido hoje e amanha, e depois mesmo que em baixas concentrações não significa que não vá causar danos. Pode nunca causar mas também pode trazer problemas.

Se por um lado era necessário despertar uma maior consciência sobre os cuidados de rosto, por outro banalizou-se tanto o uso de determinadas substâncias que em breve temo que teremos mais problemas de pele do que alguma vez tivemos pelo efeito cocktail de tantos cosméticos que são aplicados sem o mínimo conhecimento.


Um problema de pele, uma imperfeição de pele resolve-se com a ida a um especialista, com uma rotina personalizada, com tratamentos específicos para aquela tipologia de pele não com o conteúdo que alguém criou para ter likes e comentários, por mais inocente que seja a ação.


Aos profissionais que banalizaram este tema e que falam dele constantemente sem olhar a meios porque é sempre uma tema da moda, parem de o fazer. Infelizmente nas redes sociais os consumidores aspiram tudo o que vêm e leem e temos que ter a consciência que pessoas com baixa auto estima irão tratar de aplicar peelings na pele a torto e a direito porque alguém disse que fazia maravilhas. Aconselhar sim, banalizar não.




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